Boletim FCR

1. A escalada da Geração Distribuída

O Ministério de Minas e Energia – MME desistiu da realização do Leilão de Energia Nova A-6, programado para setembro, pois as distribuidoras não estão projetando demanda suficiente que justifique os investimentos.

Esse é um sinal de que as concessionárias já estão sentindo a escalada acelerada da geração distribuída.

Outro ponto, são os contratos de energia por assinatura cada vez mais populares, principalmente em Estados com legislação tributária favorável, como Minas Gerais, por exemplo. Além disso, as companhias distribuidoras já observam no futuro que, em breve, está por vir mais uma etapa de abertura do mercado livre de energia. 

Lembrando que o Leilão de Energia Nova A-5 está confirmado para setembro, em que vão concorrer empreendimentos hidrelétricos, térmicos, eólicos e fotovoltaicos, a preços que variam de R$ 194,96/MWh à mais de R$ 600,00/MWh. 

Fonte: Canal Energia

2. Os Impactos da privatização da Eletrobrás no setor elétrico

O Instituto Escolhas preparou um importante estudo sobre  os Impactos da privatização da Eletrobras no setor elétrico brasileiro, autorizada pelo Congresso Nacional em julho deste ano. O estudo focou nas emendas ao projeto não originalmente projetadas, mencionadas a seguir: 

a) Contratação obrigatória de termelétricas a gás natural, em regiões específicas:

A Lei nº 14.182/2021 determinou a contratação, via leilão, de reserva de 8.000 MW de termelétricas a gás natural, com inflexibilidade de 70%, com entrada em operação prevista para 2026 a 2030.

Essa determinação não está alinhada com os estudos elaborados pela competente EPE, visto que não considerou o custo do gás natural, mas garantiu o despacho de 70% da energia produzida. Algumas das regiões agraciadas estão longe das fontes de suprimento de gás natural e o Brasil não conta com uma ampla rede de infraestrutura, o que obrigará a realização de investimentos. Além disso, essa questão está na contramão da evolução da transição energética, que pretende diminuir a utilização de combustíveis fósseis.

b) Flexibilizações para a construção do Linhão de Tucuruí (Manaus – Boa Vista

O Linhão Tucuruí conectaria o Sistema Isolado de Boa Vista ao SIN, o que traria uma série de benefícios para a região. No entanto, 125 km dos 741 km do Linhão passam pela reserva indígena Uaimiri-atroari. E mesmo assim, a lei autorizou o início das obras, após a conclusão do Plano Básico Ambiental – Componente Indígena, ignorando os prazos necessários para obtenção das devidas licenças ambientais. Nesse sentido, o impacto ambiental pode ser expressivo.

c) Novas concessões para hidrelétricas incluídas no regime de cotas

A flexibilização da comercialização pelo regime de cotas e não apenas pelo preço fixado no leilão agregou valor aos contratos de concessão, tornando a capitalização da companhia muito mais atraente. Por outro lado, os riscos tarifários aumentaram substancialmente.

d) Reserva de mercado para Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs); e

Ficou determinado que os próximos Leilões A-5 e A-6 deverão destinar 50% da demanda à contratação de PCHs, até que seja atingido 2.000 MW em capacidade instalada. Após esse patamar, os leilões subsequentes, até 2026, deverão reservar 40% da demanda para essas usinas. 

O fato é que a viabilidade econômica de implantar PCHs é limitada, já que grande parte dessa expansão está nas bacias Amazônica e do Tocantins-Araguaia, de grande sensibilidade socioambiental. 

d) Extensão do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa)

A privatização da Eletrobrás possibilita a extensão, por vinte anos, dos contratos celebrados pelo Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), após a data de vencimento atual. Caso o empreendedor concorde, os novos contratos adotarão o preço-teto do Leilão A-6 de 2019, corrigido pelo IPCA. 

O Proinfa vigorou entre 2002 e 2011, celebrando mais de 140 contratos, que possibilitaram a expansão dessas fontes em 3 GW – o objetivo do programa. Mas as circunstâncias são completamente diferentes em 2021 e, provavelmente, continuarão mudando. 

Assim, a lei fará com que as usinas do Proinfa deixem de disputar os Leilões de Energia existente ou fornecer sua energia no mercado livre, o que permitiria a oferta de preços mais competitivos, dado que os ativos já estariam amortizados. Em resumo: será aplicado novo peso na tarifa.

(integra: https://www.escolhas.org/wp-content/uploads/Sumario_Eletrobras_InstEscolhas.pdf)

Comentários: Com a prorrogação das concessões e com a reserva de mercado para PCH, os fornecedores de equipamentos hidromecânicos poderão ter uma oportunidade de crescimento.

3. Oliveira Energia leva multa de R$ 3,2 milhões por atraso em UTE

A Aneel decidiu multar a Oliveira Energia em mais de R$ 3,2 milhões pelo atraso na implantação da térmica Monte Cristo Sucuba, de 42,25 MW em Roraima. A usina opera a partir de óleo diesel, tendo sido licitada no leilão de sistemas isolados de 2019, que previa suprimento para a região de Boa Vista.

A empresa havia pedido excludente de responsabilidade, o que foi negado em junho pelo regulador. No documento enviado, a companhia citou o advento do Covid-19, atraso na obtenção das licenças ambientais, além de impasses com a Oxe Energia sobre uma linha de transmissão que coincidia com os traçados do sistema de escoamento da UTE. O suprimento deveria ter sido iniciado em 28 de junho do ano passado.

No parecer da Agência, os atrasos não se relacionavam a nenhum dos eventos relatados, uma vez que as disputas com a Oxe Energia foram amplamente discutidas e resolvidas no ambiente regulatório, além da encomenda dos equipamentos necessários ao empreendimento terem sido realizados após o início da pandemia.

Fonte: Canal Energia

4. Crise Energética na Europa – Euro cai abaixo da paridade com o dólar com risco de crise energética

O euro caiu novamente abaixo da paridade com o dólar, e atingiu ontem o seu menor nível em 20 anos. Com uma desvalorização de 0,93%, a moeda europeia chegou a valer US$ 0,9932. De acordo com especialistas, o desempenho do euro está relacionado à crise de energia que o continente enfrenta em razão da guerra na Ucrânia.

A Europa é grande consumidora do gás russo, e o presidente Vladimir Putin ameaça fechar completamente o fornecimento do combustível. “A importância do perfil energético de um país para a evolução da moeda continuará até que a volatilidade e os aumentos de preços nos mercados globais de commodities tenham diminuído”, analisa a Western Union.

Os preços do gás natural na Europa dispararam ontem, após a estatal russa Gazprom anunciar, no fim da semana passada, que irá suspender o fornecimento pelo gasoduto Nord Stream por três dias, a partir do dia 31, para serviços de manutenção.

Além disso, o índice DXY, que mede a paridade do dólar com uma cesta de moedas fortes, subiu com investidores na expectativa pelo simpósio de Jackson Hole, que começa nesta quinta-feira nos EUA. Investidores se preparam para ouvir no simpósio os principais bancos centrais do mundo sobre a estratégia de política monetária para combater os níveis crescentes de inflação.

A primeira vez que o euro atingiu a paridade com o dólar neste ano foi em julho, após a divulgação de um indicador fraco sobre a economia alemã. A cotação de 1 para 1, no entanto, não durou muito, e o euro se recuperou levemente. 

Fonte: O Estado de São Paulo – 23/08/2022

 

Dúvidas? Entre em contato

Inscreva-se para receber atualizações por e-mail.

Nós respeitamos sua privacidade

Boletins Recentes